Domingo, 28 de Janeiro de 2007

O PRIMEIRO ACTO.

 

 

 

 

 

 

O PRIMEIRO ACTO

 

 

 

            Vimos ao mundo imundos, frágeis, totalmente incompetentes e por iniciativa de terceiros.

 

            Chegamos por expulsão e a primeira coisa que temos de fazer é chorar como iniciação à elementar respiração. Depois lavam-nos e entregam-nos a quem nos fez. E, para o bem e para o mal, é de quem vamos, em primeira instância, depender.

 

            Inicia-se uma vida que não é sempre uma caminhada poética mas mais uma avalanche que leva tudo na passagem. Seja lá o que for que venha a ser, será invariavelmente o mais acabado mistério. A mais rematada surpresa. Até ao último momento.

 

            Não, não é igual nascer em Paris ou no mato da Etiópia, nem é igual nascer hoje ou ter nascido na Idade Média, no seio de uma família rica ou numa família miserável. Onde se nasce, quando se nasce ou de quem se nasce faz mesmo toda a diferença. Em qualquer dos casos se poderá ser feliz ou infeliz mas serão felicidade ou infelicidade incomparáveis.

 

            De resto a vida é muito mais que uma questão moral: pode castigar-se alguém com a morte como se pode castigar alguém com a vida.

 

            A vida é mesmo a coisa mais bela que pode acontecer a qualquer um, mas...a qualquer preço? (Tem preço sim. A vida tem sempre um preço: a de um pode até custar a de muitos outros).

 

            Na lógica controladora da civilização criam-se normas onde nunca cabem todos. A própria democracia se satisfaz em contemplar a vontade de metade mais um. Aos outros resta acatar e passar a pertencer à maioria ou, por não querer, não saber ou não poder, não cumprir e, consequentemente, ser condenados.

 

            Cada um sabe de si mais que todo o resto do mundo. Não nos precipitemos, portanto, a ajuizar constantemente as opções dos outros.

 

 

 

 

 

 


Publicado por anarka às 16:25
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